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| De pedreiros a manicures e dentistas, brasileiros reajustam preços de serviços em 8,45%, na média de 12 meses, muito acima da inflação geral Márcia De Chiara (Economia) SÃO PAULO - A escalada da inflação dos últimos meses ressuscitou mecanismos informais de indexação de preços, especialmente dos serviços. É o pedreiro ou o cabeleireiro, por exemplo, que aumenta o valor da diária ou do corte de cabelo, seguindo a intuição ou usando critérios próprios, como o gasto com a condução para chegar ao trabalho ou com a refeição fora de casa. Um estudo feito pelos técnicos da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), a pedido do Estado, com base nos dados do Ãndice de Preços ao Consumidor (IPC), ilustra com números o estrago das expectativas negativas nos preços dos serviços que seguem uma indexação informal. Em 12 meses até janeiro deste ano, os preços dos serviços reajustados segundo critérios informais aumentaram 8,45%. O resultado supera de longe a variação do mesmo perÃodo pelos serviços que têm critérios previamente definidos de reajuste (4,93%) e incluem aluguéis e contratos de assistência médica, entre outros. Enquanto isso, a inflação geral ao consumidor medida pelo IPC da Fipe no mesmo perÃodo foi de 6,2%. Os demais 405 produtos que compõem o indicador e englobam desde alimentos a eletrodomésticos, eletrônicos e artigos de vestuário subiram, em média, 6,4% e seguiram de perto o resultado geral do IPC. Nesse rol estão, por exemplo, o filé mignon, que aumentou 54,55% em 12 meses, seguindo a alta de preço das carnes no mercado internacional, e até eletrônicos como o celular, cujo preço caiu 13,38% no perÃodo por causa da desvalorização do dólar em relação ao real e da forte concorrência dos importados. "Em perÃodos de inflação alta, a inércia inflacionária ganha força entre os preços dos serviços reajustados informalmente", afirma o gerente do IPC-Fipe Moacir Yabiku. Ele e a supervisora Hilda Miranda são os responsáveis pelo estudo. Teto da meta. Esse mecanismo de reajuste, que leva em conta inflação passada e fatores aleatórios, foi citado na semana passada pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, quando soube do resultado da inflação oficial. O IPCA de janeiro atingiu 0,83%, a maior marca desde abril de 2005, e acumulou alta de 5,99% em 12 meses. Segundo o coordenador do IPC da Fipe, Antonio Comune, em perÃodos de inflação alta, como o atual, a inércia inflacionária aumenta. Os agentes econômicos, especialmente fornecedores de serviços que não enfrentam a concorrência de importados, reajustam seus preços tentando se resguardar de perdas. "Todo mundo coloca um pouco mais no preço, à s vezes por questão de arredondamento." Ele observa que entre os parâmetros para os reajustes geralmente estão a passagem de ônibus e o salário mÃnimo. Bráulio Borges, economista chefe da LCA, ressalta que a indexação informal sempre existiu. Mas, quando a inflação anual gira em torno de 5%, ela ganha força. |